Se eu Ficar — Gayle Forman

Se eu Ficar da autora americana Gayle Forman, narra a história de Mia Hall, uma adolescente de 17 anos que está em coma após o acidente que matou seus pais e seu irmão mais novo Teddy.  Pelas próximas 24 horas, Mia precisa compreender o que aconteceu e escolher entre ficar e viver ou então morrer.

Um livro emocionante, inquietante e comovente de rápida e fácil leitura, que nos obriga a refletir sobre a nossa vida e sobre as pessoas e as coisas pelas quais vale a pena vivermos. Impossível de parar de ler.  Um romance que levará até o leitor mais céptico a acreditar na importância da amizade, da família e do amor.- Blog Livros Pra Ler e Reler
''Às vezes você faz escolhas na vida e às vezes as escolhas fazem você. Isso faz sentido?”

Antes do acidente, seu único dilema era a escolha que tinha de fazer: seguir seus sonhos e estudar na escola de música Jilliard, em Nova York, ou permanecer no Estado de Oregon, com sua família e seu namorado Adam, guitarrista e vocalista da banda Shooting Star.

Com delicadeza, simplicidade e sensibilidade, Gayle Forman nos conduz pela vida de Mia, com flashbacks que nos mostram seu dia a dia e todos os fatos relevantes que a ajudaram a ser quem é — sua vida com Adam, a família, a amiga Kim, sua paixão por violoncelo e,  ao mesmo tempo,  seu estado de coma, no hospital.


O livro não tem capítulos, tem horas e isso traz um toque de realidade e aflição à trama. Toda a história acontece em apenas um dia no qual Mia permanece em coma. O livro todo é contado pelo espírito de Mia, que vê tudo o que acontece com seu corpo e ao redor no hospital.

"Eu não estou certa de que este é um mundo que eu pertenço mais.
Eu não tenho certeza que eu quero acordar."

Com um texto comovente, ágil e narrado em primeira pessoa, Gayle expõe de forma emocionante e meticulosa todos os anseios, temores e cada detalhe do que está acontecendo ao redor de Mia, intercalando entre  a  estadia de Mia no hospital e os flashbacks de seu convívio com a família e o namorado, focando suas esperanças e suas dúvidas sobre se deve ficar ou não.

A autora consegue emocionar o leitor com a intensidade dos sentimentos de Mia, criando uma compreensão e conexão maior entre o leitor e os personagens que ao longo da leitura dá a sensação de que este mesmo leitor está presente na história, vivenciando todos os acontecimentos.

Vencedor de 10 importantes prêmios literários no exterior, entre os mais recentes: Abraham Lincoln Award Nominee (2012) e Goodreads Choice Nominee for Young Adult Fiction (2009), Se Eu Ficar  foi também adaptado para o cinema e será lançado em setembro, no Brasil.

Mia é uma jovem violoncelista com um talento nato para música clássica.  Tem a família dos sonhos de qualquer adolescente, apesar de sentir-se desajustada, porque desde os 6 anos optou por música clássica, mostrando vocação para tocar violoncelo e declarando oficialmente seu amor à Bethoven. Seu pai foi baterista de uma banda de rock que abandonou a vida de músico quando seu irmão mais novo Teddy nasceu e, a mãe, apesar de ter a música na alma não toca nenhum instrumento.

Assim, as únicas preocupações de Mia, antes do acidente, referiam-se ao seu futuro na música clássica. Seu sonho era ser aceita na Escola de Música e Artes Cênicas, Jilliard, uma das mais renomadas escolas de música do mundo, mas para isso, ela teria que viver em Nova York e isso implicava em deixar Adam para trás, algo que ela ainda não estava pronta para abrir mão.

“Sei que pode ser idiotice de minha parte, mas sempre me perguntei se o papai se sentia frustrado por eu não ter me tornado roqueira. Esta era a minha intenção, também. Até que, na terceira série, me deparei com o violoncelo durante as aulas de música e ele me pareceu mais humano. Parecia que, ao tocá-lo, ele lhe contaria segredos, então não hesitei.
 Isso já faz dez anos e desde então, nunca parei.” 

Após o acidente, apesar do carro ter ficado completamente destruído, a única coisa que continuou funcionando foi o rádio, e foi nisso que Mia se prendeu, ao som de Beethoven que era a música que tocava na hora do acidente e de acordo com Mia, mesmo com o carro destruído a música continuava tocando. Seria isso um bom sinal? Mas bastou Mia olhar ao redor para se dar conta do fatídico resultado.

Ela vê o seu corpo sendo tirado dos destroços do carro de seus pais, mas não sente nada. A última coisa que lembra é estar no carro com seus pais e Teddy, em uma estrada repleta de neve. De repente, está em pé fora do seu corpo, ao lado dos cadáveres de seu pai e sua mãe, observando ela e o irmão serem atendidos pelos paramédicos.

Enquanto tenta entender se está morta ou não, Mia é levada para um hospital, onde com seu corpo em estado de coma, acompanhou sua ida até o hospital, participou das diversas cirurgias realizadas, assistiu seus parentes e amigos lotarem a sala de espera ansiando por notícias. 

Agora, cabia a Mia escolher o que fazer de sua vida: Morrer ou viver?  Acalentar o coração daqueles que ainda estão vivos e torcem por ela ou permanecer sempre ao lado dos seus pais e não ter que conviver com o vazio que uma orfã carregaria? Seus avós, Kim, sua melhor amiga, e principalmente Adam, queriam que ela ficasse.. mas e ela? Será que ela queria ficar?

A luta que a protagonista trava entre sair ou não do coma, pode se tornar um ponto de discórdia entre alguns leitores, pois para uns só existe uma resposta simples e indiscutível: Escolher Viver!  Outros, entretanto, se colocam no lugar de Mia, levando-os a se questionarem como seria se acontecesse com eles? Que decisão tomariam?

A autora através de flashbacks traz as lembranças de Mia na relação com sua família, com amigos, ou com outros personagens que a cercam, tornando ainda mais difícil sua decisão — Como sobreviver num mundo em que tudo o que ela tinha como certo já não existe mais e quase todos os que ela amava se foram. Será que vale a pena ficar?

Se eu ficar não é apenas um livro centrado no romance entre Mia e Adam —  o namorado,  que é capaz de fazer tudo por ela. Até deixá-la ir, se ela ficar. — mas também nos relacionamentos que permeiam a vida de Mia, sua relação com sua família e amigos.

Mia passa por uma segunda cirurgia e as visitas são aceitas, já que os médicos acreditavam que Mia só teria mais algumas horas de vida.Seus avós foram os primeiros a visitá-la e seu vô deixou bem claro que Mia deveria fazer a escolha que a deixasse bem: Ficar ou Ir.  Por sua vez, 

Adam consegue visitá-la na UTI e isso acarreta uma série de emoções em Mia, determinando o destino dela entre voltar ou não!

“Se você ficar, eu faço o que você quiser. Eu largo a banda, vou com você para Nova Iorque. Mas se você precisar que eu vá embora, eu faço isso também. Eu estava conversando com Liz e ela disse que talvez voltar para sua antiga vida seja doloroso demais, que talvez seja mais fácil você nos apagar. E isso seria uma droga, mas eu faço. Eu posso perder você assim se eu não te perder hoje. Eu te deixo ir. Se você ficar." — Adam para Mia.

Se eu ficar traz ainda várias referências de músicas, inclusive música clássica e a edição do livro conta com notas musicais no começo e no fim das páginas. É um livro emocionante, sutil, envolvente que nos leva a refletir e, no final do livro, nos deixa ansiosos por uma continuação — Para onde ela foi? Cujo lançamento está previsto para Outubro e será narrado na visão de Adam. 

Pode-se dizer que um dos pontos interessantes do livro Se eu ficar, foi o modo como foi apresentado:  Em dois tempos — o passado e o presente, uma dualidade pertinente ao conflito que ressalta os motivos pelos quais ela deve ir ou ficar.

Um livro emocionante, inquietante e comovente de rápida e fácil leitura, que nos obriga a refletir sobre a nossa vida e sobre as pessoas e as coisas pelas quais vale a pena vivermos. Impossível de parar de ler.  Um romance que levará até o leitor mais céptico a acreditar na importância da amizade, da família e do amor.

Forman consegue arrancar sorrisos e lágrimas e nos alerta que somos responsáveis por nossas próprias vidas e, consequentemente, nossas escolhas podem mudar a visão que temos sobre  “nosso pequeno mundo” e até provocar mudanças em terceiros.

Gayle Forman emociona e fala sobre amor, perda, sacrifício, escolha e, principalmente, nos faz refletir sobre os mistérios da vida, da morte e do coma, nos conduzindo a uma reavaliação de nossas vidas e do que é importante para nós, valorizando assim cada segundo de nossa vida, pois nada é para sempre.


“Percebo agora que morrer é fácil. Viver é que é difícil.”


A autora:

Gayle Forman, é uma autora premiada e  jornalista premiada cujos artigos foram já publicados na Cosmopolitan, Seventeen e Elle, entre outras revistas.

Em 2002, ela e seu marido Nick fizeram uma viagem ao redor do mundo. De suas viagens, ela acumulou uma riqueza de experiências e de informações que mais tarde serviu como base para seu primeiro livro, Um diário de viagem que você não pode começar lá a partir daqui: um ano na margem de uma Shrinking World.

Em 2007 ela publicou seu primeiro romance para jovens adultos, intitulado  Sisters In Sanity onde ela se baseia em um artigo que tinha escrito para a revista Seventeen.

Se eu ficar encontra-se publicado em mais de 35 países e recebeu diversas distinções, incluindo ser considerado um dos melhores livros juvenis de 2009 pela Amazon e pela Publishers Weekly e entre outros, ganhou o prêmio, Indie Choice Award de 2010.

A Summit Entertainment, o estúdio que produziu a saga Crepúsculo, adaptou esta obra ao cinema.


Nome: Se Eu Ficar
Título original: If I Stay
Autora: Gayle Forman
Tradutora: Amanda Moura,
Edição: 1ª edição
Editora: Novo Conceito (2014)


Tags:
Ficar, morrer, acidente, pais, irmão, adolescente, viver, fácil e difícil